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O que nunca contei à Berenice- Sérgio da Silva Almeida

10 de junho de 2021 | Arquivado em Opinião | 62 views

Sérgio da Silva Almeida

A cantora, compositora e acordeonista porto-alegrense Berenice Azambuja, de 69 anos, pioneira como mulher no tradicionalismo gaúcho, partiu para a eternidade na semana passada após sofrer uma parada cardíaca. Ela havia conseguido vencer a batalha contra a covid-19 e, em comemoração, saiu do hospital tocando gaita e cantando “É disso que o velho gosta”, canção composta em homenagem ao seu pai.

Quem fez faculdade sabe que a maioria dos universitários vivem com a grana curta. Porém, há algumas sugestões bacanas para que o estudante consiga um dinheiro extra durante a graduação: Fazer um estágio na sua área, dar aulas de monitoria para alunos dos períodos anteriores, vender pequenos objetos artesanais, trabalhar como freelancer, formatar textos de acordo com as regras técnicas que todo trabalho acadêmico deve seguir, oferecer serviços de cuidador de animais ou vender lanches e doces.

No início da década de 1980, quando eu cursava Administração de Empresas na UFSM, em Santa Maria, costumava entregar marmitex aos idosos que residiam perto da Pensão da dona Jovita onde eu morava e revender camisetas com estampas para faturar uma graninha extra. Mesmo assim, como a maioria dos universitários cujos pais moravam em outras cidades, não conseguia juntar dinheiro suficiente para participar das festas organizadas pela turma. Mas como diz a frase “Quando existe vontade, dá-se um jeito”, ao descobrir que o violonista que animasse os eventos entrava de graça, me candidatei. Tirei a poeira do violão, comprei apostilas de músicas gaúchas e nativistas cifradas e fui logo me enturmando. No meu repertório musical constavam, entre outras, “Canto Alegretense”, “Não Podemo se entregá pros home” e “Guri”. Porém, a mais pedida era “Panela Velha”, música que ficou eternizada na voz de Berenice Azambuja. Quando eu ‘arranhava’ as notas no violão e soltava a voz no refrão: “Não interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa”, a galera cantava junto.

Por muitos anos quis contar essa história à ela como forma de agradecimento. Porém, como nunca a encontrei, nunca contei – e agora que sua última morada é no Cemitério de Vila Lângaro, município que fica a 40 quilômetros de Passo Fundo, jamais contarei.


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