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Três conchadas de noz-pecã – Sérgio Almeida

17 de abril de 2019 | Arquivado em Opinião | 53 views

Sérgio Almeida

Três conchadas de noz-pecã

 

Na Abertura Oficial da Colheita da Noz-pecã no Rio Grande do Sul, evento ocorrido na empresa cachoeirense Pecanita Agroindustrial, a maior produtora e beneficiadora do fruto da América Latina, O prefeito Sérgio Ghignatti anunciou que Cachoeira do Sul será a primeira cidade gaúcha a oferecer noz-pecã na merenda escolar.

A história do guri, de 15 anos, de Alvorada, que enviou um áudio pelo WhatsApp a um colega que faltou a aula, viralizou nas redes sociais e foi exibida no Jornal do Almoço e no Fantástico: “Mano, tu ‘rateou” muito, muito, muito, muito, meu. Eu e o Cauã, a gente comeu três ‘concha’, três ‘concha’ de galinha, filho. Primeiro, a tia serviu lá pra gente só duas ‘concha’, mais dois ‘pedação’ de galinha, assim, né, pra cada um. Aí quando a tia saiu do ‘bagulho’ da concha lá, a gente correu, foi, pegou a concha e tacou-lhe três ‘conchada’ de galinha, filho. Oh, três ‘conchada’ de galinha, meu. Repito: três ‘conchada’ de galinha. Tinha que ver. Oh, ‘saímo’ de lá embuchado, meu”.

No Brasil, incontáveis estudantes chegam para as aulas sem ter feito nenhuma refeição. Há dois anos, num colégio do Distrito Federal que atende crianças de famílias de baixa renda – e cujo cardápio previa biscoito (com vitamina de frutas ou com suco) em dois dias da semana –, um menino de 8 anos desmaiou de fome. Quando o Samu chegou e constatou que ele estava há muito tempo sem comer, o atendente chorou.

Minha esposa Marta, nos anos em que lecionou em escolas na área rural, viu o drama das crianças que vão às aulas contando com a merenda. Ela me contou que, naquela época, não havia merendeira escolar e a professora tinha que ‘se virar nos trinta’. “Eu dava um tema e, enquanto eles respondiam, corria e colocava algo para cozinhar. Volta e meia, alguém sentia cheiro de queimado e gritava: ‘Tia, tá queimando a merenda!’”, ri.

Mas foi numa manhã que Marta ouviu a frase que partiu seu coração. Ainda hoje ela se emociona: “Eu confessei aos alunos que só tínhamos arroz e chuchu. Uma menina, sentada no fundo da sala, levantou a mão e disse: ‘Professora, pode ser arroz com chuchu mesmo, ainda não comi nada hoje!’”.

A inclusão do fruto no cardápio escolar vai fazer a alegria da garotada. E quiçá, assim como em Alvorada, algum garoto eufórico envie um áudio para o colega que faltou à aula: “Mano, tu ‘rateou” muito, muito, muito, muito, meu. Eu comi três ‘conchada’ de noz-pecã, filho”.


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