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Sobre Emma, adultério, Capitu e outros que tais…

11 de dezembro de 2019 | Arquivado em Opinião | 85 views

A cultura no mundo ocidental, conforme a conhecemos, conforme Arnold Hauser, em seu livro “História Social da Arte e da Literatura”, inicia-se quando o primeiro homem riscou, nas paredes das caverna, a figura de um animal abatido ou a ser abatido – se experimentava prazer neste ato ou se desejava apenas fixa-lo não importa, o fato relevante é que colocavam traços, cores e algum tipo de emoção humana ali.

Para nós, brasileiros, com ascendência portuguesa, a “Cantiga da Guarvaia” ou “Cantiga da Ribeirinha” é o primeiro documento em que se tem registro a língua galego-portuguesa, fonte da nossa língua materna. Desnecessário, mas conveniente, lembrar que o primeiro documento escrito no Brasil foi “A Carta” de Pero Vaz de Caminha.

A parca literatura barroca que se desenvolveu no Brasil pelas mãos de Gregório de Mattos e do Padre Vieira trazia total domínio europeu, valendo o mesmo para o movimento árcade de Tomás Antonio Gonzaga e Claudio Manoel da Costa. Os nossos escritores começaram a ensaiar uma certa expressão de independência (relativa) após 1822, com o Romantismo, de origem francesa e alemã.

Contudo, para a maioria dos críticos, a literatura produzida no Brasil atingiu, de fato, a sua maioridade na segunda metade do século XIX com a figura ímpar de Machado de Assis, secundado, em sua formação, pela leitura de grandes clássicos universais. Justamente, nesse contexto, quero inserir Gustave Flaubert, francês, nascido em 12 de dezembro de 1821 e falecido em 08 de maio de 1880, ele é autor de uma obra paradigmática, que romperia com todos os modelos precedentes. Refiro-me à “Madame Bovary” (1857).

Resultado de cinco anos de escrita, a obra é uma contumaz crítica aos valores que orientavam a burguesia na época, em particular o casamento e o clássico bordão “casaram-se e foram felizes para sempre”. Porém, mal o livro começara a circular, decidiu-se por sua censura e estabeleceu-se um processo contra o autor, acusado de imoralidade. Posto no banco dos réus, contudo, Flaubert foi absolvido, o que gerou grande curiosidade sobre a sua obra.

O romance “Madame Bovary” gira em torno basicamente de dois personagens: o casal Charles e Emma Bovary; o tédio de Emma diante do casamento; as extravagâncias de Emma; as recorrentes traições de Emma; a insistência de Charles para satisfazer os desejos de Emma; o nascimento dos filhos; as intromissões da família… até que…

Há, além da temática do adultério, que se faz explícita, uma evidente crítica social, ao consumismo vigente então: o tédio de Emma, a sua constante insatisfação nascem da percepção que ela, assim como todos a sua volta, eram escravos do consumo numa sociedade, fruto da Revolução Industrial, que produzia, produzia e exigia o consumo desses produtos.

No caso de Emma, o adultério é explícito. No caso daquela “sua parente distante”, Capitu, comenta-se que tudo foi invenção de Bentinho, o “Dom Casmurro” e, estudos mais recentes, já põem em pauta a possibilidade de Capitu ter sido traída por Bentinho e Escobar, o que seria uma grande virada histórica. Mas isso pode ser pauta para outra conversa ou para a leitura de “Capitu, memórias póstumas”, obra escrita pelo crítico literário Domício Proença Filho.

Professora Doutora Elaine dos Santos

Autora do livro “Entre lágrimas e risos: as representações do melodrama no teatro mambembe”, que conta a história do Teatro Serelepe.


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