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Será o fim das Estações Rodoviárias? – Sérgio da Silva Almeida

17 de julho de 2020 | Arquivado em Opinião | 319 views

Sérgio da Silva Almeida

Empresas estão fechando as portas em razão dos efeitos econômicos da pandemia. Em Cachoeira do Sul, a Estação Rodoviária encerrou suas atividades na terça-feira, após 79 anos. Muitos na cidade se emocionaram ao ouvir a empresária Rosane Radünz fazer o anúncio através de um programa de rádio. Eu assisti pelo aplicativo e, como haviam pessoas ao meu redor, tive que seguir o conselho de minha mãe: “Engole esse choro, guri!”.

Rosane contou que o serviço de estação rodoviária começou em 1941, com seu avô, José Carlos Engler. E que em 1976, seu pai, Arno Radünz, construiu a atual estrutura. “Ele se desfez de todo seu patrimônio e colocou sua vida ali”, confessou com a voz embargada.

Eu nasci em Caçapava do Sul, mas cresci na capital nacional do arroz. E a rodoviária de Cachoeira fez parte de minha infância, adolescência e vida adulta. Quando estudava no ensino fundamental e médio, costumava ir com frequência à casa dos meus pais, no interior, pela empresa São João. Durante meus anos de UFSM, a Planalto me levava a Santa Maria na segunda e me trazia na sexta. Além, é claro, das incontáveis viagens pela Unesul para a capital dos gaúchos.

A primeira rodoviária foi criada em Vacaria, no ano de 1939, depois de um bate-papo entre um jornalista e o proprietário do cinema da cidade. “Por que não criar um local fixo para expedir os bilhetes, como os ingressos de cinema, para quem quisesse viajar?”, pensaram eles. A ideia ainda está funcionando em 211 dos 497 municípios gaúchos, mas pode estar com seus dias contados, devido, principalmente, a redução de passageiros.

Ah, se as paredes das rodoviárias falassem, elas relatariam eufóricas sobre a conversa das pessoas na fila do guichê, sobre os homens que faziam uso do banheiro e “saiam de fininho” sem deixar uma moeda para o ‘cara’ da limpeza e sobre os “caras de pau” que folheavam as revistas na banca antes do embarque. E contariam emocionadas sobre os pais e mães que esperavam ansiosos seus filhos retornarem dos estudos fora, os abraçavam e os beijavam, e saíam alegres com eles até o estacionamento. Agora, sem chegadas e partidas, elas certamente diriam em tom de despedida: “Muitos vão sentir a minha falta!”.


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