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Ser médico e ser humano- Sérgio da Silva Almeida

26 de maio de 2021 | Arquivado em Opinião | 67 views

Sérgio da Silva Almeida

Quarta-feira foi celebrado o dia nacional de combate a maior causa de cegueira irreversível no mundo: o glaucoma. A data tem o principal objetivo de conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce desta doença ocular “silenciosa”, caracterizada pela perda gradual da visão devido a degradação do nervo óptico, normalmente associada ao aumento da pressão intraocular. E como os primeiros efeitos só aparecem quando o glaucoma já está desenvolvido, é aconselhável que as pessoas que já passaram dos 40 anos de idade façam exames oftalmológicos periódicos, como forma de prevenção da doença.

Há alguns anos eu descobri que tenho glaucoma. E desde então aplico uma gota de colírio em cada olho antes de dormir à noite e ao levantar pela manhã. Aliás, desde criança tenho problemas de visão. Na escola, precisava aproximar o livro do rosto na hora da leitura e na rua sentia necessidade de forçar a musculatura dos olhos para tentar ver à distância.

Minha mãe me levava periodicamente ao consultório do Dr. Renan Coelho, em Cachoeira do Sul. E como eu ficava nervoso só em pensar em usar óculos por vergonha de ser chamado pelo apelido de “quatro-olhos” pelos colegas (o que acontecia com muitos guris naquela época), ele conversava pacientemente comigo para me acalmar. A cada novo encontro, Dr. Renan me fazia perguntas baseadas em nossas conversas anteriores, do tipo “como foi seu jogo de futebol?” ou “sua avó melhorou de saúde?”. Eu ficava abismado com sua memória apurada.

Durante meus 55 anos, passei por vários oftalmologistas. Porém, o Dr. Renan me tratou como nenhum outro conseguiu. Mês passado, após sentir uma pontada nos olhos, marquei consulta. O médico me analisou e disse: “Você está com alergia a pólen de flores”. Rebati: “Desculpe, doutor, mas eu sou do interior, me criei no campo, nunca tive alergia à pólen de flores.”. Ele respondeu secamente: “Você ficou muito tempo em casa!”.

À noite, comentei com minha esposa Marta que eu esperava uma linguagem mais amável e acolhedora, importante para fortalecer a medicina humanizada, e que o oftalmologista podia fazer um curso para aprender a ser mais gentil. Medicina é uma profissão que se mistura com missão, por isso requer um relacionamento afetivo e de cumplicidade. 


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