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Os filhos não são do mundo – Sérgio Almeida

9 de agosto de 2018 | Arquivado em Opinião | 123 views

Sérgio Almeida

Domingo é dia de homenagear o paizão. O colégio do meu filho promoveu o jantar “Meu pai é meu campeão”, onde pais e filhos compareceram vestindo a camisa de um clube de futebol. Eu e o José fomos com a do Caxias.

Na minha infância, meu pai costumava me levar aos Gre-nais. Nós almoçávamos no restaurante Mosqueteiro. Certa vez, eu mordi um copo. Meu pai ficou aflito, achando que eu tinha engolido o caco de vidro. As pessoas colocavam o dedo no fundo da minha garganta. Os garçons procuraram dentro do prato, embaixo da mesa… Mas ninguém descobriu onde o pedaço do vidro foi parar.

No estádio, precisei ir ao banheiro. Meu pai me levou e retornou à arquibancada, não sem antes me indicar o local onde estávamos sentados. Minutos depois, ao sair porta afora, me deparei com a multidão vestindo azul, branco e preto, e fiquei confuso. Tentei descer os degraus, mas ao ouvir o protesto dos torcedores “Senta, guri!”, me joguei no primeiro lugar que encontrei. E ali fiquei após escutar a mensagem no sistema de som: “Sérgio, fique onde está que seu pai irá ao seu encontro”. O jogo acabou, o Olímpico ficou vazio e eu senti um cutucão no meu ombro. Ao voltar o olhar para trás pulei no pescoço dele e caí no choro: “Paiii!”.

Quanto mais o pai se mantiver por perto, mais seguro o filho vai se sentir. Mas e se o filho tiver que proteger o pai? Eu tinha 14 anos quando o time amador que meu pai torcia participou do campeonato municipal de Cachoeira do Sul, e meu pai me levou ao Estádio Joaquim Vidal para assistir à estreia. Estávamos no pavilhão e Benemídio, eufórico, comemorou um gol. Um torcedor adversário não gostou e deu um tranco nele.

Na hora, me coloquei entre os dois – e quase “me borrei” perna abaixo. Não ria que a coisa foi séria! Eu nunca fui de brigar. E encarar aquele homenzarrão com cara de poucos amigos me fez tremer como vara verde. Por sorte, “a turma do deixa disso” interviu e nos levou para o outro lado do campo, onde assistimos ao restante do jogo.

Creio que todo filho carrega para sempre as memórias de uma boa relação com seu pai. E deseja poder voltar atrás só para viver tudo de novo. Talvez por isso, durante a infância, ele escute repetidas vezes: “Filho se cria para o mundo”. Mas um dia ele cresce e vai conquistar o mundão para o qual foi criado. E descobre que filhos não são do mundo. Filhos são e sempre serão dos pais.


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