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O profissional com síndrome de Down – Sérgio Almeida

1 de agosto de 2019 | Arquivado em Opinião | 43 views

 

Na primeira vez que a vi oferecendo a degustação de produtos no supermercado, de cara Cíntia se fez notar por sua simpatia e profissionalismo. “O senhor já experimentou nossa água de coco?”, perguntou ao me abordar. “Não”, respondi balançando negativamente a cabeça. Ela calmamente colocou o líquido num copinho plástico descartável e me deu: “Entre os benefícios da água de coco, estão o fato de ela ser extremamente rica em sais minerais e apresentar baixíssimo teor calórico”.

Agradeci-lhe a explicação, ao mesmo tempo em que tentei ler seu nome no crachá de identificação pendurado no pescoço: “Como você se chama?”. Ela respondeu com um belo sorriso estampado no rosto arredondado: “Cíntia de Paula Nogueira. De Paula, herdei do meu pai, Nogueira, de minha mãe”. Indaguei se gostava de seu trabalho. “Adoro! Eu sou a garota Bistek”, respondeu, me fitando com seus olhos amendoados. Cíntia é down. E espalha alegria a todos que transitam próximo ao seu ponto de venda no Supermercado Bistek, em Itajaí.

Antigamente, um jovem com síndrome de Down raramente era apresentado ao mundo do trabalho. Hoje, graças à Lei de Cotas nº 8213/1991, que obriga empresas que têm 100 funcionários ou mais a contratar pessoas com deficiência, eles vêm ganhando espaço no mercado e mostrando que não é só um cromossomo a mais: é mais amor, carinho e verdade. E muitos estão abrindo negócios próprios e fazendo o maior sucesso.

Em San Isidro, Argentina, quatro amigos com síndrome de Down abriram a Los Perejiles, uma empresa de pizza a domicílio que já emprega mais de 20 funcionários. Em Nova York, John Cronin criou a John’s Crazy Socks, uma marca com mais de mil opções diferentes de meias coloridas e estilosas que tem o primeiro-ministro do Canadá como cliente e já fatura R$ 15 milhões por ano. Em São Paulo, Jéssica Pereira montou o Bellatucci Café, onde todos os colaboradores têm algum tipo de deficiência. O site da empresa reflete bem o principal obstáculo que os profissionais com síndrome de Down precisam superar para que conquistem o protagonismo no mercado de trabalho: “Lutamos pela real inclusão, na qual, em vez de as pessoas nos olharem e dizer ‘ai que bonitinhos!’, elas devem olhar o nosso trabalho e dizer “sim, eles são capazes e competentes!”. 


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