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O administrador do grupo removeu Luciano – Sérgio da Silva Almeida

8 de maio de 2020 | Arquivado em Opinião | 313 views

Sérgio da Silva Almeida

Luciano chegou em Cachoeira do Sul, vindo do Maranhão, se sentindo mal. Não tinha febre, porém, por ser obeso e hipertenso, fazia parte do grupo de risco. André Taborda, pastor da igreja onde ele congregava, o levou ao hospital. Em seguida, me buscou para participarmos de um programa de rádio. E, ao entrar no carro, senti cheiro de álcool em gel. André explicou: “Deixei o irmão no hospital e os sintomas são de coronavírus”. Senti um frio na barriga. Eu havia tocado na maçaneta da porta e estava no banco do carona, onde ele esteve sentado.

Na sexta, já em Caxias do Sul onde moro, acordei com dor de cabeça, diarreia, dores musculares e mal-estar. Liguei para a Central de Atendimento Coronavírus de Bento Gonçalves e obtive as devidas orientações. Segui à risca, e no domingo não senti mais nada.

O Luciano foi transferido para Canoas. E através de um grupo de WhatsApp ficávamos sabendo sobre seu estado de saúde. A mensagem do dia 27 nos deu esperança: “A médica falou que ele está se saindo muito bem. Diminuíram a sedação. Logo estará de volta”. Porém, a do dia 29 nos deixou apreensivos: “Ele pegou uma infecção hospitalar e seu estado ficou bastante grave”. E, no dia seguinte, o que li, não saiu mais da minha cabeça: “Luís removeu Luciano”. Coloquei a mão no rosto, como quem não quer acreditar. Logo veio a confirmação: “Nosso amigo voltou à casa do pai celestial”.

Não houve velório e o enterro foi em Passo Fundo sem que os familiares pudessem se despedir. Restou ao filho, Luciano Júnior, escrever em sua página no Facebook: “Obrigado por ter sido meu pai e me amado. Vai doer aqui dentro pelo resto da vida, mas um dia nos encontraremos no céu. Lá não haverá doença, nem pranto, nem morte, e estaremos juntos por toda a eternidade”.

Apesar de não acreditar nos números de mortes, não há como negar que o vírus é maldito. Mas verdade seja dita: ele pode remover uma pessoa de um grupo de WhatsApp, mas nunca do coração dos familiares e amigos. 


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