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Nunca antes, na história deste país – Alessandra Cavalheiro – Jornalista

20 de outubro de 2015 | Arquivado em Geral, Opinião | 131 views

plantaConheci a palavra resiliência há alguns anos, ouvindo um físico associando o termo à questão humana. Naquele momento, imaginei muitos bambus num vendaval. É um termo relativamente novo no Brasil. Temos mais intimidade com a palavra resistência. A diferença é que ser resiliente é retornar à forma anterior ao choque, ainda mais forte. É aproveitar as intempéries da vida para transcender, ao invés de cair na revolta, na depressão. É aproveitar os momentos difíceis para transformar a energia do estresse em energia criativa.

É uma bela palavra para contemplarmos em tempos de cheias, crise financeira e política, e de um panorama de notícias tão negativas. A resiliência é algo mais profundo que otimismo. É um refazer-se melhor, mais flexível, conquistando força onde jamais imaginamos que fosse possível: no fundo do poço. A frase do ex-presidente Lula “Nunca antes, na história deste país” nunca foi tão dita e repetida antes, na história deste país.

Nunca vimos rios tão cheios, muitas cidades nunca haviam decretado situação de emergência. O dólar nunca esteve tão alto, a seca no Nordeste nunca foi tão longa. Nunca ouvimos tantas notícias de corrupção e nunca tivemos tantas pessoas sofrendo com depressão, ansiedade e estresse. Nunca tivemos tanto calor no inverno e nunca tivemos verões tão quentes. A temperatura só aumenta. Nunca tivemos tanta violência, tantas mortes por armas de fogo. A frase de Lula é emblemática para os nossos tempos.

Então, entender a palavra resiliência pode ser uma boa saída. Vale um esforço, inspirados nos bambus e nas ventanias. A falta de energia elétrica pode ser um laboratório para sermos mais resilientes. Que soluções encontramos nos dias e noites sem luz? Nós queremos acreditar que isso não ocorrerá outra vez, mas não temos garantias. Então, estaremos melhor preparados? Aprendemos com esta experiência?

Ser resiliente também é aprender a viver com mais simplicidade, com menos recursos materiais, sem desespero, com criatividade, mais humanidade. Sem tanto apego às tecnologias e ao conforto gerado no consumo, que enfraquece a natureza. Outro dia vi o exemplo de um empresário que tem 500 funcionários. Ele disse que diminuiu os investimentos da empresa e a margem de lucro. Mantém os empregos, já que considera as pessoas seu patrimônio mais importante. Fiquei comovida.

O próximo verão promete ser o mais quente da história deste país. O que estamos fazendo quanto a isso? Vamos sofrer os mesmos problemas do último verão? Vamos ficar sofrendo e reclamando do governo? Como diria Obama: “Yes, we can!”. Sim, nós podemos nos preparar melhor para as intempéries, com mais responsabilidade. Sentimo-nos pequenos e impotentes diante dos desafios da natureza. Mas se continuamos vivos, temos possibilidades, há muitos projetos criativos por aí. E precisamos buscá-los, até porque não sabemos, no futuro, como os governos estarão cuidando da história deste país…

 


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