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Não se esqueçam – José Elpídio Santana

9 de junho de 2020 | Arquivado em Opinião | 327 views

A lei proíbe qualquer forma de discriminação e garante a todas as pessoas proteção igual e eficaz contra qualquer discriminação, por motivo de raça, cor, sexo, língua religião etc. A lei proíbe, mas não tem eficácia para extinguir a prática do racismo. Não me enganem que eu não gosto.

Também não me convence o argumento de que a discriminação tem causa, antes pelo social, que pelo racial. Este é o modelo de pensamento das classes dominantes que não resiste a mais superficial análise, porquanto no caso do negro, é a raça que denuncia o status social. Não é necessário recorrer aos números da estatística. É SÓ OLHAR E VER.Vale lembrar um sermão do Padre Vieira, na cidade de Lisboa, no ano de 1622- “ Um negro que se banha nas águas do Zaire fica limpo mas não fica branco- porém no batismo sim, uma coisa e outra”.

Relativamente à questão racial, escrevi artigo com o título “CHEGA DE FAZER CAFEZINHO”, em espaço num semanário local, em 1988, ano da promulgação da atual Constituição Federal.

Para que não esqueçam, transcrevo alguns dos seus parágrafos:

“Chega de continuarmos lembrados para tarefas de retaguarda – onde nem o simples contato com o público é permitido, quando se pode escolher entre o negro e o branco. Quem se der o trabalho de passar pelas calçadas de nossa cidade e ver nas casas comerciais quem está no balcão. Quantos negros, ou negras? Algumas casas de comércio e estabelecimentos bancários fazem raras e honrosas exceções. Conhecem algum Secretário de Município ou de Estado, negro? Ou Ministro? E quantos legisladores existentes no Brasil? São exemplos discriminatórios dos critérios adotados para o preenchimento de cargos de confiança, onde são prestigiados, aproveitados e incentivados a participar do processo político, companheiros e adeptos, militantes ou não de diversas origens raciais, mas nunca tivemos notícia ou tomamos conhecimento de que a um negro tenha sido concedida igual oportunidade, ao menos aqui na terrinha.. Cansamos de paternalismo demagógico, de servir, sermos manipulados de acordo com interesses, usados e depois esquecidos”.

Trinta e dois anos passados, de lá para cá, pouco, ou quase nada mudou, e atentem que a nossa Carta Magna é chamada de Constituição cidadã.

Não é de bom grado que lembramos a história do negro na sociedade brasileira

Abdias do Nascimento em sua obra “O genocídio do Negro Brasileiro” página 66, escreve “É constrangedor revolver aspectos tão ignóbeis do nosso passado histórico”.

Sublinhamos que não nos move – em absoluto – qualquer idéia ou sentimento separatista, antes pelo contrário. .

São oportunas as manifestações antiracistas que acontecem no país. O assassinato de George Floyd nos EUA mobilizou os ativistas dos movimentos negros e outros seguimentos da sociedade em favor e defesa dos negros. Lá o negro é caçado a pauladas, asfixiado até a morte.

Desconfio, contudo, daqueles que se aproveitam do cadáver do negro americano para pregação de suas ideologias. A nossa polícia também bate e fuzila negros inocentes, frente ao que, essas entidades silenciam ou não se manifestam com a mesma veemência. Parece que a colônia “importa” dos americanos até esses movimentos, enquanto aqui, o negro brasileiro que se “ floyd”,

Como se não bastasse os últimos fatos, a Fundação Palmares, através de seu presidente,um ativista mandalete da direita, sonega os horrores da escravidão, nega o herói Zumbi, num contraponto ao movimento negro cooptado pela esquerda. Não é crível que esse servidor desconheça a história da escravidão em nosso país. Afinal, não foi o branco europeu, mas o negro africano caçado na sua pátria e trazido acorrentado nos porões dos navios para aqui ser escravizado. Não se esqueçam.


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