Enquete

Qual seu interesse e posição pelas eleições Municipais do ano que vem?

Ver resultado

Loading ... Loading ...

Previsão do Tempo


Não saí igualzito ao pai – Sérgio Almeida

21 de setembro de 2018 | Arquivado em Opinião | 136 views

Sérgio Almeida

A cultura gaúcha atravessa gerações. Durante festa de comunidade, organizada por um jornal gaúcho, o vocalista e gaiteiro Lucas Oliveira, de 14 anos, tirou aplausos da plateia. Durante Café Gaudério, organizado por uma empresa gaúcha, a prendinha de um CTG, Isabelli Melo Lopes, de 9 anos, deixou todos boquiabertos ao declamar uma poesia gauchesca. E num parque de eventos, Higor da Silva Seixas, de 5 anos, venceu na categoria laço piá um gurizote que estava disputando sua primeira prova campeira e, num gesto de grandeza, doou o troféu para o estreante. Oigalê! É a gurizada cultuando a tradição.

Eu adoraria poder dizer a frase: “Desde que me conheço por gente, eu ando pilchado”. Mas não posso! Mesmo tendo lido as poesias de Jayme Caetano Braun e os contos do Analista de Bagé, ouvido Dante Ramon Ledesma, João Chagas Leite e outros cantores de música nativista, dançado xote e rancheira nos bailes do CTG Os Gaudérios, cavalgado minha égua ruana, tendo um irmão domador que resiste firme nos arreios aos corcovos de um cavalo e outro hábil no uso do laço, e sendo filho do patrão de honra da Semana Farroupilha, para o qual desfilar no 20 de setembro é motivo de orgulho, não despertei o desejo de manter a tradição. Bueno, pelo menos fico louco de faceiro quando degusto um churrasco mal passado, sorvo um chimarrão amargo até ouvir o ronco da bomba e lagarteio ao sol comendo uma “berga” sem atucanação. Mas que tal?

A primeira vez que usei bota, bombacha e lenço foi numa festa na escola, durante um desafio bem animado de trova com um colega da 4ª série. Ele versejava: “Ô meu amigo Sérgio, me responda sem pensar, de onde tu tirou esse cheiro de gambá”. Eu poetava: “Eu tô com esse cheiro danado, você tem toda razão, pois peguei esse cheirinho, do gambá do teu irmão”. A gauchada ria e aplaudia.

Anos depois, na universidade, como não tinha um pila no bolso para o ingresso, tocava violão e cantava músicas gaúchas nas festas da turma. Mas, logo em seguida, a vida me levou para o mundo da bola. E no lugar de botas, usei chuteiras. No lugar de bombachas, calção e meia. No lugar da camisa branca e do lenço colorado, camisetas de times de futebol. Portanto, ainda que eu seja um apreciador das tradições gaúchas, não vai “cair os butiá do seu bolso” se eu plagiar a frase do clássico “Guri”, de Cesar Passarinho: “Não saí igualzito ao pai”.


Mapa do Site

Fale Conosco

Fale conosco

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Mensagem