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Não é só o arroz. “Tá tudo caro!” – Sérgio da Silva Almeida

17 de setembro de 2020 | Arquivado em Opinião | 64 views

Sérgio da Silva Almeida

Internautas se manifestaram com bom humor – e em tom de crítica – no Facebook com a alta do preço do arroz. “Essa nota de 200 reais é pra gente comprar quatro pacotes de arroz”, “Não quero humilhar ninguém, mas hoje eu comi arroz”, “Se alguém do grupo for casar, me avisem que vou pegar uma vasilha. Estou só pela chuva de arroz”. O jornalista especializado em agronegócios e editor da revista Planeta Arroz, Cleiton Evandro dos Santos, ao ver a imagem de meia dúzia de sacos de arroz postada por um amigo, comentou: “Tu tá rico e não tá sabendo”.

Diante de um cenário onde 71% da venda de arroz ficou abaixo do custo de produção, o Grupo Facção Agrícola rebateu as críticas à alta do produto postando um vídeo nas redes sociais mostrando arrozeiros desatolando colheitadeiras e tratores em plantação de arroz. “Tá achando caro o preço do arroz? Então vem aqui e vamos ver se você aguenta o tranco”, cutuca um deles.

Sou filho e neto de agricultores. Cresci vendo meu pai e meu avô levantando de madrugada, com chuva ou frio, abrindo mão de fins de semana e de momentos com a família – e mantendo um olho no céu e outro na plantação – para fazer sua parte como patriota: colocar comida na mesa de pessoas que nunca botaram os pés numa lavoura. Inclusive, muitas das vezes participei do preparo do solo, plantio, adubação e safra. Mas confesso: a hora do almoço era o momento mais aguardado. Eu apeava do trator, lavava as mãos no açude, sentava à sombra de uma árvore e degustava a marmita com arroz, feijão, carne de panela e mandioca feita com carinho por minha mãe. E me doía o coração ao vê-los tendo que lidar com o sentimento de frustração e de agonia quando não sobrava dinheiro no preço pelo qual era comercializado o produto ou a safra era perdida por causa do clima sabendo que no ano seguinte teriam que plantar de novo com a mesma esperança de que “dessa vez vai dar certo”.

Por isso, não “crucifico” o arroz. O preço da maioria dos alimentos disparou nas prateleiras dos supermercados. Plagiando estrofe da música “Tá tudo caro!” do Velho Milongueiro: “Tá tudo caro, tá tudo caro. Tá caro tudo e acabaram com meus cobres. Tá caro tudo eu digo isso e provo. Já tá caro até o arroz que era comida de pobre”.


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