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Não é “adeus”, mas apenas “até logo” – Sérgio Almeida

28 de novembro de 2018 | Arquivado em Opinião | 209 views

Não é “adeus”, mas apenas “até logo”

Enildo Correa da Silva

Há 20 anos, o astronauta Marcos Pontes se tornou o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Ele conta que o mais marcante do voo foi quando se despediu da esposa e dos filhos. “Os russos me disseram: ‘Você tem meia hora para dizer adeus à sua família’. Esquisito. De repente eu tinha 30 minutos para falar para os meus filhos tudo aquilo que eu queria falar para eles pelo resto da vida deles. Eu não sabia o que falar”, relatou.

Fiquei pensando sobre o que dizer a um ente querido minutos antes de perceber que sua vida aqui na Terra está terminando. Como cristão, não vejo a morte como um “adeus”, e sim como um aceno de “até logo”. Ainda assim, tem dias que faltam gavetas para guardar tanta saudade.

A gaúcha Geni Franceschetto conseguiu dizer “até logo” ao seu pai no dia de Natal. Seu Hermínio, 92 anos, apertando forte a sua mão, fez o último pedido: “Filha, quero que você reúna seus irmãos num clima de muita animação. Devemos viver felizes todos os dias, porque o maior privilégio da vida é viver”. Após o sepultamento, os nove filhos, com gaita e violão, se reuniram na casa da mãe, em Marau, para cantar em honra ao pai.

Faz 29 anos que meu avô Enildo partiu. No fim da década de 1980, eu morei com ele em sua granja, no município de Caçapava do Sul. Uma de suas alegrias era me acordar às 3h30min da madrugada para tomarmos chimarrão ao redor do fogão a lenha, ouvindo as notícias pela Rádio Globo. Quando ficou doente, eu fui visitá-lo no hospital. Porém, tive dificuldades sobre como lidar e o que conversar com ele doente. E não consegui olhar em seus olhos serenos e meigos e dizer “Vô, só quero que saiba que mesmo que eu não tenha as melhores palavras o senhor sempre me terá ao seu lado”.

Na madrugada de 27 de novembro de 1989, no mesmo horário que ele costumava me acordar para tomar chimarrão, acordei sobressaltado como se sentisse a presença de meu avô em meu quarto. E não demorou para eu receber a notícia de sua morte. Talvez tenha sido coisa da minha cabeça. Deus sabe! O que sei é que sua despedida não significou “adeus”, apenas “até logo”.


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