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Muitos sentirão a sua falta – Sérgio Almeida

19 de setembro de 2019 | Arquivado em Opinião | 122 views

Sérgio Almeida

Setembro Amarelo é o mês de prevenção ao suicídio. A ideia é conscientizar a população e os profissionais de saúde para que reconheçam os sinais de risco e auxiliem no tratamento.

A cor da campanha foi inspirada no caso do jovem norte-americano Michael Emme, de 17 anos, que em 1994, depois de terminar um namoro, pôs fim à própria vida dentro de seu Ford Mustang amarelo 1968. Ele deixou um bilhete para os pais: “Eu gostaria de ter aprendido a odiar… não se culpem, mamãe e papai. Eu amo vocês”. Durante o funeral, foram distribuídos cartões com fitas amarelas e uma frase de apoio: “Se você precisar, peça ajuda”.

Eu era guri, no interior de Caçapava do Sul, quando ouvi falar sobre suicídio pela primeira vez. Meu tio Antonino Almeida, médico cirurgião, contou aos meus pais: “Um homem apareceu no  hospital com uma faca cravada no peito. Ele tentou se matar. Eu realizei a cirurgia para retirada da lâmina que, por sorte, não atingiu o coração”. Naquela época, criança não participava de conversas de adultos. Ainda assim, “sem querer querendo”, meus ouvidos captaram detalhes da história. Há pouco tempo, fui falar do amor de Deus no presídio de Cachoeira do Sul e relatei esse acontecimento aos detentos. Um deles interrompeu minha fala com um grito: “O cara que tentou se matar era meu tio”. Todos se voltaram para o homem, como que dizendo “caramba, é verdade!”.

Segundo os suicidologistas, uma das maiores dificuldades para a prevenção ao suicídio é a falta do acolhimento ao sofrimento existencial, pois a pessoa com ideias suicidas não quer se matar, mas acabar com a dor. Por isso, há duas perguntas que se deve fazer a ela: onde dói, e como eu posso ajudar? E explicar que todo momento crítico pode ser superado.

Foi o que fiz, há cinco anos, quando um amigo, que estava definhando existencialmente, me confessou: “Ninguém gosta de mim, não quero mais viver”. Procurei escutá-lo e compreendê-lo. E disse-lhe que Deus queria ele “vivinho da silva” porque o amava. “Se você fosse a única pessoa da Terra, ainda assim Jesus teria dado sua vida por você”, expliquei. E pedi que enumerasse nos dedos quem poderia sentir a sua falta. Felizmente, faltaram dedos.  


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