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Meu amigo Bidico – Alessandra Cavalheiro – Jornalista

19 de fevereiro de 2016 | Arquivado em Geral, Opinião | 523 views

Tenho uma predileção especial por ouvir os mais velhos. Desvendá-los é um bálsamo. Fico contemplando seus gestos, imaginando as tantas histórias por trás de suas rugas, seus olhares cheios de sabedoria. Eu adoraria que houvesse um registro completo de suas memórias depois da morte. Quando morrem, tudo se vai, ficam apenas algumas lembranças, e se tivermos sorte, registros que eles próprios deixam.

Em São Sepé tive um amigo assim, especial, que foi o seu Bidico, o José Garibaldi Simões, irmão do Afif Jorge Simões Filho. Olhando em meus livros na estante, encontrei alguns trabalhos dele e bateu aquela saudade. Na área daquela casa em frente à Corsan, sempre tinha uma conversa interessante, recheada de memórias sobre os heróis do passado, curiosidades e comentários bem-humorados sobre os rumos da cidade.

Às vezes, a Ila Simões, preciosa amiga, me ligava para avisar que o Afif Neto estava por ali. Eu não podia perder aquela conversa tão interessante entre tio e sobrinho. E ia voando para a área do Bidico. E a dona Maria, mulher do Bidico, também andava na volta, lembrando histórias com a gente. Eu sentava por ali e aproveitava.

Convidei o Bidico para participar do meu trabalho final da faculdade de Comunicação Social, na UFSM, lá nos idos de 1996. Com o nome “Documento Vivo”, pedi a algumas pessoas de São Sepé que contassem a história da cidade, da perspectiva de suas próprias histórias de vida. Eu estava estudando história oral e memória e extraí deles o conteúdo para um programa que depois foi ao ar, pela Rádio Cotrisel, com apoio do comunicador Enilton Bolzan, outro personagem importante da história mais recente da cidade.

Então lá íamos nós, com o Bidico ao volante, rumo ao Alto do Tabuleiro para contar a história de São Sepé. Bateu saudade. Com ele, aprendi sobre figuras como o padre Mário Deluy, Diolofau Brum e tantos outros. Também convidamos para o programa o seu Assis, músico da Banda Paz e Concórdia, que era barbeiro e nos ofereceu lindas lembranças sobre as festas memoráveis da cidade e sobre as histórias de seu salão; a professora Terezinha Kraemer, que nos esclareceu muito bem a questão do nome da cidade e o Dilson Cunha, proprietário durante muitos anos do Cine Alvorada, o saudoso cinema de São Sepé.

Pois é, lá se vão 20 anos. E falando em velhos, acho que já estou começando a reunir minhas histórias antigas também. Tomara que eu possa registrar boas memórias e, um dia, mostrar aos mais jovens a importância da história oral e toda sua riqueza. Que os mais velhos sejam respeitados e valorizados como joias preciosas e cheias de ensinamentos para todos!

 

 


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