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SÃO SEPÉ Tempo

Mete já o saca-rolha! Sérgio da Silva Almeida

15 de janeiro de 2022 | Arquivado em Opinião | 39 views

Segunda-feira era para ser um dia normal na vida de Leandro Balardin. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico estava dirigindo rumo a Porto Alegre pela BR 290 quando, ao cruzar uma ponte, viu uma barra de ferro se soltar de um caminhão e atravessar o para-brisa de seu carro, que ficou desgovernado. Recuperado, Balardin publicou em sua página no Facebook: “Já estou bem e em casa, com o Leandrinho me cuidando. O tempo da gente pertence a Deus. Foi um milagre e hoje Ele operou por nós”.

Quando vejo acontecimentos como esse, que não se pode prever, logo me lembro de uma certa noite, há alguns anos, quando convidei um casal de amigos para jantar e mostrei a eles minha adega de vinhos climatizada. Entre os rótulos, tinha um dos vinhos mais longevos da Itália, o Brunello Di Montalcino Riserva 1999. “Eu o ganhei do amigo Harrison Barcelos, em 2010, e estou à espera de um momento especial para abri-lo”, contei. O homem, com cara de espanto, me aconselhou: “Mete já o saca-rolha, cara!”. Eu rebati: “Capaz! Esse vinho é a ‘menina dos meus olhos’”. Foi aí que ouvi dele uma história que me fez perceber que, às vezes, conduzo minha vida com a ilusão de que sou infinito: “Havia um homem que tinha uma adega com alguns vinhos caros e cobiçados, e os deixava lá, sem abrir, à espera de um momento especial. Até que um dia ele morreu em um acidente, e tempos depois sua esposa acabou se casando com outro, que ‘meteu o saca-rolha’ em toda a adega”.

Anos depois, no trevo de acesso a Venâncio Aires, um ônibus ao meu lado atingiu violentamente uma camioneta que cruzou pela frente do meu carro e se chocou com o barranco à minha direita. O ônibus, que estava sem passageiros, tombou no outro lado da pista. Assustado, tão logo estacionei, ouvi o motorista, que havia saído pelo para-brisa quebrado, me dizer: “Agradeça a Deus, tu nasceu de novo!”. Desde então, ao sair e retornar para casa, abraço e beijo minha esposa e meus filhos – e meu Shih Tzu Pipo – e digo a eles que os amo. 

Sobre o Brunello Di Montalcino? Bem, ainda não o abri. E ontem, ao vê-lo na adega, de cara lembrei do acidente do amigo Leandro Balardin, e foi como se ouvisse uma voz na cabeça: “Deus te deu o dia de hoje e, se tiver sorte, o de amanhã. Não espere o momento especial. Tem muitas ‘barras de ferro’ voando por aí. Então… mete já o saca-rolha, cara!”.


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