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Identificadas bactérias que causaram duas mortes em Santa Maria

15 de janeiro de 2020 | Arquivado em Geral | 735 views

Exames preliminares realizados pela Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) identificaram as bactérias responsáveis pela infecção que causou a morte de duas crianças em Santa Maria no final do ano passado. Os resultados laboratoriais apontaram os dois agentes bacterianos envolvidos no surto: Campylobacter jejuni e Escherichia coli O157.

A investigação do surto continua para que seja possível identificar a fonte de infecção. Amostras estão sendo analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-RS) e pelo Laboratório de Referência Nacional em Enterobactérias da Fiocruz. É a primeira vez que o Estado registra um surto desta natureza.

Desde o registro dos casos, que levaram a óbito duas crianças de quatro e de cinco anos que estudavam na Escola de Educação Infantil do Serviço Social da Indústria (Sesi), o governo do Estado apoiou o município de Santa Maria no processo de investigação.

O governador Eduardo Leite colocou à disposição as equipes da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Santa Maria, e do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) para ajudar a identificar as causas da infecção, além de acompanhar e orientar os procedimentos a serem adotados, com alertas a toda rede de atendimento e à população.

No total, foram identificados 41 casos e seis internações (incluindo as duas crianças). O último caso registrado teve início de sintomas em 8 de janeiro, e o surto será monitorado por 30 dias até que não se registrem casos novos.

Novos casos suspeitos devem ser notificados imediatamente ao plantão do serviço de vigilância epidemiológica do município por meio dos telefones (55) 3921-7154 e (55) 99167-4185 ou ao Disque Vigilância 150 da SES.

SINTOMAS

A infecção por Campylobacter em humanos pode manifestar-se de várias formas, sendo a gastroenterite a mais comum. Os sintomas são diarreia (profusa, aquosa e, em alguns casos, com sangue), vômito, náusea, dores abdominais e febre. Como complicações da doença, podem ocorrer  endocardite, artrite séptica, meningite e Síndrome de Guillain-Barré. O período de incubação varia normalmente de dois a cinco dias.

Os casos de infecção são usualmente esporádicos, ocorrendo nos meses de verão e no início do outono, causados pela ingestão de alimentos cozidos e manipulados inapropriadamente, com maior incidência relacionada ao consumo de frangos.

A E. coli O157 tem como sintomas gastroenterite, colite hemorrágica e Síndrome Hemolítica Urêmica. Costumam aparecer em média até quatro dias após a ingestão de alimentos ou água contaminados. Cerca de 12% a 30% das pessoas infectadas podem evoluir para insuficiência renal e comprometimento sistêmico. A transmissão ocorre por via fecal oral e através do ambiente, alimentos, solo e água contaminados.

MEDIDAS DE CONTROLE

A prevenção de novos casos segue as medidas gerais de prevenção de doenças de transmissão hídrica e alimentar:

– Lavar bem as mãos com sabonete/sabão antes do preparo dos alimentos, sempre que interromper a atividade de preparo, e após;
– Lavar bem as mãos após uso do banheiro e troca de fraldas;
– Lavar frequentemente as mãos das crianças com sabonete/sabão, sobretudo após o uso do banheiro;
– Manter os alimentos refrigerados, abaixo de 5°C, ou aquecidos acima de 70°C;
– Consumir somente água potável/tratada;
– Consumir alimentos crus como vegetais folhosos, frutas e legumes, somente após a lavagem mecânica retirando todas as sujidades, seguida do uso de solução clorada;
– Consumir alimentos de origem animal (carnes, ovos, leite, mel etc.) somente com registro no órgão sanitário competente;
– Não consumir leite e seus derivados crus, não pasteurizados;
– Utilizar utensílios (tábuas, talheres e recipientes) diferentes para produtos crus e cozidos;
– Não ingerir carnes cruas ou mal cozidas (abaixo de 70°C);
– Manipuladores que apresentarem sintomas gastrointestinais não devem manusear alimentos.

Clique aqui para acessar a nota técnica conjunta da Secretaria da Saúde (SES) e Secretaria da Saúde (SMS) de Santa Maria.

Texto: Ascom SES
Edição: Secom


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