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Histórias para bugio dormir- Sérgio da Silva Almeida

19 de maio de 2021 | Arquivado em Opinião | 92 views

Sérgio da Silva Almeida

Bugio virou notícia depois de ter sido fotografado atravessando a passos lentos uma avenida em Cachoeira do Sul. Ano passado, um bugio se agarrou a um remo jogado na água por dois pescadores quando estava perdendo as forças tentando fazer a travessia a nado no Rio Jacuí.

Li que o bugio seria um animal oriundo da cidade de Bugia, na Argélia (vai saber, né?). O certo é que por aqui, onde há registro de duas espécies: o bugio-ruivo e o bugio-preto, além de um ritmo musical inspirado no jeitão de andar do primata, o macaco pampeano é exaltado em músicas gauchescas como em “Salvando o bugio”, do Grupo Parceria de Galpão, inspirada na saga do bugio ruim de nado: “E dê-lhe braço bugio, quero ver como tu chega no outro lado do rio. E dê-lhe braço bugio, só não fica te achando, a correnteza tá a mil”.

Tenho sorte de ter nascido em uma família que cultiva a contação de histórias. José, meu pai, conta que nos dias da sua juventude (a seis décadas), como tinha a responsabilidade de manter em funcionamento o motor a diesel que puxava água do rio para irrigar a lavoura de arroz de seu pai, precisava pernoitar no acampamento em meio à mata. Para as refeições, geralmente pescava um peixe ou fisgava uma saracura. E não é história de pescador (ou seria de caçador?)! Ele fisgava a saracura! José pegava a linha de pesca, iscava um grão de milho no anzol e a arremessava a metros de distância. Quando a ave engolia a isca, dava um puxão na linha e a fisgava.

Após o jantar, pendurava a panela de ferro em um galho de árvore para que os animais da noite não comessem as sobras. Porém, certa manhã percebeu que a tampa estava no chão e a panela vazia. Desconfiado, na noite seguinte, amarrou uma ponta da linha de nylon no dedão do pé e a outra ponta na alça da tampa da panela. Durante a madrugada sentiu um puxão. Levantou, e sem fazer barulho, focou a luz da lanterna no alto da árvore. E lá estava o bugio, com um braço em volta da panela e uma mão cheia de comida.

Nos três verões seguintes, José ganhou companhia para o jantar. “Nos tornamos amigos”, conta. E como, infelizmente, os bugios estão na lista dos 25 primatas mais ameaçados de extinção do mundo, acho legal histórias como essas serem eternizadas nas páginas do Jornal do Garcia Online, para que no futuro, quando eu contá-las aos meus netos, eles não digam: “Vovô, são só histórias para bugio dormir!”. 


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