Enquete

Qual time gaúcho tem mais chances de ser campeão do Brasil?

Ver resultado

Loading ... Loading ...

Previsão do Tempo


Contadores de história – Sérgio da Silva Almeida

6 de agosto de 2020 | Arquivado em Opinião | 28 views

Sérgio da Silva Almeida

O salmista Davi estava com idade avançada e já sentia o céu mais perto de si quando escreveu o Salmo 145. No verso 4, ele manifesta o desejo de que seus descendentes transmitiam às próximas gerações as histórias sobre os feitos do Criador: “Ó Deus, cada geração anunciará à seguinte as coisas que tens feito, e todos louvarão os teus atos poderosos”.

Felizmente o Brasil conta com renomados historiadores que tem a nobre missão de resgatar e preservar a memória do país. Sem eles, a história ficaria esquecida na poeira do tempo.

Anteontem, duas pessoas muito queridas retornaram à casa do Pai celestial. A madrinha de minha irmã Jane, Emília Witeck, 94 anos, esposa do ex-prefeito de Cachoeira do Sul, Acido Witeck, e o irmão do pai de minha mãe, João Corrêa, 93 anos, o último de uma geração de contadores de histórias da família. “Qualquer coisa que precisávamos saber sobre os Corrêa a gente perguntava pro tio João. Ele sabia tudo!”, disse minha mãe Amália emocionada.

Eu sou contador de histórias porque cresci ouvindo histórias. Ainda hoje, quando meu pai José Benemídio, presidente da Celetro (Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí) se reúne com os irmãos Almeida para resgatar as lembranças, eu “fico de orelha em pé” e descubro coisas que nem imaginava. Como não resta mais nenhum Corrêa para contar histórias, eu guardo as que ouvi de meu avô e de meus tios-avôs maternos e às conto a meus filhos. Sempre que visitamos o Irapuá, interior de Caçapava do Sul onde vivi quando criança, eles querem saber sobre a lenda do Lobisomem do João Corrêa. “Vocês sabem por que na casa do João Corrêa não tem cachorro? Por causa de uma suposta aparição de um animal com aparência de Lobisomem”. E, mantendo-me atento à reação dos dois, que ouvem com os olhos arregalados, eu falo fazendo cara de sério: “Dizem até que numa sexta-feira de lua cheia ele deu um tiro no bicho”. Olhares desconfiados, silêncio absoluto e eles caem na risada!
Hoje, com as crianças no computador o tempo todo, poucos pais contam histórias aos filhos que pouco sabem a respeito de seus antepassados. E, como toda família tem sua história, o jovem que não a conhece é como uma árvore sem raízes.


Mapa do Site

Fale Conosco

Fale conosco

Nome (obrigatório)

E-mail (obrigatório)

Mensagem