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Comunicação entre ouvintes e surdos – Sérgio Almeida

5 de dezembro de 2018 | Arquivado em Geral, Opinião | 57 views

Sérgio Almeida

Comunicação entre ouvintes e surdos

Na segunda-feira, 21, foi celebrado o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. A simpática futura primeira-dama Michelle de Paula, esposa do presidente eleito Jair Bolsonaro, que integra o Ministério de Surdos e Mudos da Igreja Batista Atitude, Rio de Janeiro, onde atua como intérprete de libras nos cultos e dá aula às crianças e jovens voluntariamente, está sendo vista com esperança pela comunidade de surdos, após ter dado declarações de que uma de suas prioridades será em prol das pessoas com deficiência. “Vou lutar pelos interesses dos surdos”, prometeu.

Minha irmã tinha seis anos de idade, quando meus pais notaram que ela não ouvia nada. Nas escolas onde estudou, Jane foi desrespeitada em sua condição e a convivência não foi positiva. O professor da USP (Universidade de São Paulo), Fernando Copovilla, coordenador de estudo sobre a escolarização da criança surda, tem uma explicação para a dificuldade de inclusão do jovem com deficiência na escola regular: “Colocar uma criança surda dentro de uma sala de aula de ouvintes é como botá-la numa escola chinesa”. Para piorar, naquela época, era comum o mercado de trabalho fechar as portas para candidatos com deficiência. Jane (que mora em Estrela e, graças a Lei de Cotas, trabalha há 25 anos na Justiça do Trabalho), se saia bem nas provas, mas na hora da entrevista sua esperança “ia por água abaixo” quando o profissional de RH percebia que ela não escutava.

Meu pai, ao notar que a filha precisava de atendimento educacional especializado, ajudou a fundar a APADA (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos), em Cachoeira do Sul. A instituição foi importante no desenvolvimento linguístico da minha irmã, pois uma de suas finalidades era o aperfeiçoamento da comunicação entre surdos e ouvintes.

Ter uma irmã surda, que não atende ligações telefônicas e faz uso da leitura labial, influenciou na maneira como eu contribuo com a acessibilidade de pessoas com deficiência. Com ela aprendi que amar não é fazer o surdo se adaptar ao mundo do ouvinte, mas o ouvinte se adaptar ao mundo do surdo.


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