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SÃO SEPÉ Tempo

Como era bom, aquele tempo que passou! Sérgio da Silva Almeida

7 de outubro de 2021 | Arquivado em Opinião | 18 views

Sérgio da Silva Almeida

Afundados em dívidas e com quadros de sócios cada vez menores, muitos clubes sociais agonizam e lutam para não fechar suas portas. Quando eu era adolescente, em Cachoeira do Sul, me tornei sócio da Sociedade União Cachoeirense (SUC). Eu havia arrendado de meu avô materno alguns hectares para plantar soja e com o dinheiro da colheita comprei um óculos de sol Ray-Ban espelhado e o título de sócio do clube. E nele vivi momentos memoráveis.

Foi na SUC que em 11 dezembro de 1983, durante o baile do chope, acompanhei pela televisão instalada no bar o Grêmio vencer o Hamburgo, em Tóquio, e se tornar campeão mundial interclubes. Quando o juiz apitou o fim da partida, a SUC “veio abaixo” e a banda tocou o hino tricolor pelo resto da noite.

Foi na SUC que eu e a Marta – na época, minha namorada – participamos da primeira reunião dançante juntos num domingo à tarde. Minha sogra, dona Geni, nos acompanhou, e sentada à mesa manteve os olhos atentos a tudo o que acontecia. Perda de tempo, pois se o casal se beijasse no meio do salão, logo aparecia um membro da diretoria para dar um cutucão no ombro do rapaz e, balançando a cabeça negativamente com cara de poucos amigos, dizer: “Aqui, não!”.

Foi na SUC que, mesmo sendo um “cara” que troca a folia por qualquer outra coisa, conquistei o título de campeão do Carnaval em 1997. Eu trabalhava numa empresa que tinha um bloco carnavalesco denominado Colorado eu Sou, e me rendi às inúmeras insistências dos funcionários para que participasse. Como bons gremistas, eu e a Marta – na época, minha esposa – concordamos, mas com a exigência de que em nossas camisetas constasse a frase: “Colorado eu NÃO sou”.

Foi na SUC que conquistei campeonatos de futebol na sede campestre. Durante o verão, além das piscinas, o campo de futebol era onde se podia rever os amigos e colocar a resenha em dia. E claro, não dá para não lembrar que foi na SUC que dancei ao som da Banda Barbarella “Só uma canção, que libere as emoções, pra cantar, pra dançar, pra sonhar”. E agora, ao ler que a sede social do clube foi arrematada em leilão, me vêm à memória a estrofe do poema “Tempo”, de Sara Jardim, para expressar o que os frequentadores de clubes sociais estão sentindo: “Como era bom, maravilhoso! Aquele tempo que passou. A ausência eterna virou o tempo em lágrimas, mas a saudade na mente o recriou. Como era bom, maravilhoso! Aquele tempo que passou”.


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