Enquete

Você acha que o Grêmio consegue esse ano o acesso a Série A?

Ver resultado

Loading ... Loading ...
SÃO SEPÉ Tempo

Amor difícil de domar- Sérgio da Silva Almeida

25 de novembro de 2021 | Arquivado em Opinião | 77 views

José Benemídio e o filho, Sérgio da Silva Almeida, com o cavalo Pretinho,

Algumas noites atrás, após sair do jogo de futsal, levei um xis filé para comer em casa. E, na primeira mordida, desconfiei que, do ponto de vista sensorial, talvez não fosse “filé-mignon”. Para piorar, tão logo se espalhou a notícia sobre a suposta venda clandestina de carne de cavalo para hamburguerias aqui de Caxias, “fiquei com a pulga atrás da orelha”. E fui tomado por um sentimento estranho, uma mistura de culpa, tristeza, sei lá, não sei explicar! 

Mesmo que o consumo de carne equina faça parte da culinária de vários países, no Brasil, ainda que a comercialização seja legal, não há mercado para esse tipo de produto. Ainda mais no Rio Grande, onde o cavalo crioulo é considerado o animal-símbolo do estado e a relação do gaúcho com o cavalo ultrapassa a parceria no trabalho e chega até o campo afetivo.

Tempos atrás, meu pai, José Benemídio Almeida, comprou em um remate em Cachoeira do Sul, o cavalo crioulo Danado do Iruí, nome dado pelo seu dono, proprietário da Cabanha Iruí. O Pretinho, como era carinhosamente chamado, ganhou o coração de todos na Cabanha Quinheca, no Irapuá, interior de Caçapava do Sul. Além de meu irmão Alex montá-lo em rodeios de laço e meu pai em desfiles farroupilhas, meus sobrinhos cavalgavam no Danado pelos campos. 

O zaino negro, garboso e bem empilchado, que fora adestrado por minha sobrinha Marina Siqueira, até cumprimentava os visitantes, dobrando os joelhos. Amália, minha mãe, se emociona ao falar sobre o dia de sua morte: “Ele se aproximou, deitou e morreu na minha frente. Algo para deixar saudades, mesmo!”. Para se ter ideia de como a família se apegou ao Pretinho, desde sua partida, a senha do wi-fi da cabanha leva o nome dele.

É por essas e outras que nós gaúchos nos recusamos a levar para a mesa nossos melhores amigos: o cachorro e o cavalo. Como alguém escreveu: “Cavalos despertam na gente um amor difícil de domar!”.


Mapa do Site

Fale Conosco

Fale conosco

    Nome (obrigatório)

    E-mail (obrigatório)

    Mensagem